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Avenida Rebouças, em São Paulo, renasce com edifícios de uso misto

A avenida Rebouças, cujo trânsito é temido por paulistanos, era uma trilha tupiniquim quando Cabral chegou ao Brasil, diz Ralph Giesbrecht, pesquisador e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

“É um caminho imemorial. Não existem dados para mapear seu início real.”

De lá para cá, evidentemente, tudo mudou. Hoje a via liga, grosso modo, a avenida Paulista com a marginal Pinheiros, conectando zona oeste e centro da cidade.

Antes chamada de caminho de Pinheiros e caminho de Sorocaba, a avenida passou a ser conhecida como Rebouças, homenagem ao engenheiro e abolicionista baiano André Rebouças (1838-1898), no início do século 20.

Então, a via partia da avenida Paulista para terminar no cruzamento com a rua Henrique Schaumann, que nem era rua, mas um curso de água chamado córrego Verde, hoje canalizado.

A Rebouças só ganharia asfalto em meados da década de 1930. Antes disso, era preterida pelos carros de bois e bondes elétricos, que preferiam utilizar a rua Teodoro Sampaio para chegar até o largo de Pinheiros.

Pouco mais de dez anos depois da primeira camada de asfalto, no fim dos anos 1940, a avenida já possuía seu trajeto atual. Pelos próximos 20 anos, caracterizou-se por uma ocupação residencial, com casarões de classe alta.

Com a intensificação do trânsito a partir dos anos 1970, a maioria desses casarões passou a ser ocupada por empreendimentos comerciais. Pouco a pouco, contudo, a via foi perdendo a atratividade para os comerciantes.

As longas obras, o trânsito intenso e os altos preços de aluguel e IPTU afugentaram empreendedores. Hoje, mais de um terço dos imóveis estão desocupados.

“Não havia ninguém pensando no conjunto, cada qual tinha em mente apenas seus próprios interesses”, diz Milton Fontoura, diretor do Grupo de Estudos Urbanos (GEU). “A avenida parecia não encontrar sua vocação.”

Nos últimos anos, porém, o cenário parece estar mudando. Grandes construtoras anunciaram lançamentos residenciais ali, como a Helbor, com o empreendimento Wide São Paulo, e a Vitacon, com o VN Capote Valente.

“A fase da avenida era decadente, mas suas perspectivas eram excelentes”, diz Otávio Zarvos, da Idea!Zarvos, que lançou o edifício comercial Módulo Rebouças. “A atividade imobiliária tem que ir atrás desses lugares degradados e com potencial de recuperação”, diz Zarvos.

Com a sanção da nova Lei de Zoneamento no fim de 2016 e a consequente autorização para a construção de prédios em áreas da avenida, a via passou a atrair mais a atenção de incorporadoras.

O incentivo a prédios de uso misto, com comércios no térreo, pode mudar a cara da região. “Imagino que ela vá ficar bem vertical e espero que os empreendedores aproveitem para fazer essas lojas no térreo, para que ela não vire uma avenida morta como a parte nova da Faria Lima”, diz Zarvos.

Fonte: Folha de S. Paulo

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