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A OMA na mídia

Prédios para universitários oferecem espaço de estudos e até central de xerox

Todo semestre milhares de jovens saem das casas dos pais e enfrentam a busca por uma moradia para dividir com os colegas de universidade. Empresas do setor imobiliário decidiram profissionalizar as repúblicas e desenvolver prédios inteiros exclusivamente para estudantes.

Inspirados pelos “dorms” americanos, os empreendimentos oferecem cozinhas e salas de estudo compartilhadas, além de academia, local para fazer xerox, centro de compras e carro e bicicletas para serem usados por todos.

A estudante de direito Isabela Bazanelli, 18, é uma das moradoras do “prédio república” da Uliving, na Bela Vista, centro de São Paulo.

“É uma facilidade não ter que ficar correndo atrás das coisas”, diz Bazanelli, de Ibitinga, a 347 km de São Paulo.

Pode ser um alívio também para os pais, que contam com auxílio especial.”Fazemos um meio de campo entre eles e os filhos quando não conseguem encontrá-los pelo telefone”, explica Celso Martinelli, sócio da empresa.

A Uliving tem um segundo prédio no mesmo estilo, em Sorocaba (a 99 km de São Paulo). Deve abrir ainda unidades na Consolação, centro de São Paulo, e em Macaé, no Rio de Janeiro, em 2019.

Para alugar uma suíte de 12,5 m², o estudante desembolsa R$ 2.100 mensais, já uma cama em quarto duplo de 12 m² sai por R$ 1.300.

Nos valores, estão inclusas contas de água, luz, internet e faxina quinzenal. Os andares são divididos por sexo.

A cozinha tem equipamentos para compartilhar, como geladeira, e também espaço individual para cada um guardar seus mantimentos.

Na lavandeira, os estudantes se revezam com dias e horários marcados.

Há ainda câmeras 24h, recepcionistas e um gerente.

“Aqui, conheço pessoas de outros lugares e culturas, além disso, por ser um espaço muito grande, as pessoas têm mais senso de coletivo”, afirma o estudante de engenharia de alimentos Guilherme Paiva, 28.

Exclusivo - De olho nesse mesmo mercado, a construtora Vitacon fechou uma parceria com a ESPM para construir um edifício de 325 unidades para os estudantes ao lado da instituição, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

O empreendimento terá estúdios individuais de 15 m² ou 20 m² e compartilhados de 25 m² ou 32 m², com mensalidades entre R$ 1.000 e R$ 2.500.

A intenção da ESPM, que estima que 30% de seus alunos venham de outras cidades, é atender universitários e professores. “Pensamos em um prédio que possa ser um celeiro de novas ideias, que reúna, no mesmo ambiente, estudantes e mentes inovadoras”, diz Alexandre Lafer Frankel, da Vitacon.

Os moradores terão bicicletas e um carro para uso compartilhado, com manutenção cobrada no condomínio.

O edifício começa a ser construído este ano e contará com centro comercial, local de xerox, academia e “coworking”. No último andar, um lounge com isolamento acústico vai ser sede para festas e eventos.

“Vamos oferecer convivência colaborativa e criar um ambiente acadêmico hospedando professores visitantes”, afirma Emmanuel Publio Dicas, vice-presidente da ESPM.

Companhia e sustentabilidade motivam divisão de moradias

O hábito de compartilhar a casa têm deixado o âmbito das universidades e atraído pessoas de todas as faixas etárias em busca, claro, de cortar custos e dividir despesas, mas também de companhia e de um modo de vida urbana mais sustentável.

A advogada Patrícia Bachega, 38, morou dois anos sozinha e cansou. Então mudou-se para um apartamento de 180 m² na região da avenida Paulista, no centro de São Paulo, com três mulheres da mesma faixa etária.

“Daria para morar sozinha com o dinheiro do aluguel, mas não quero. É mais proveitoso e sustentável dividir a minha casa”, diz Bachega, que conheceu as colegas em anúncios na internet.

“Há um movimento crescente entre pessoas com mais de 30 anos, em busca de maior convívio social”, diz Beatriz Varella, fundadora do Moove In, site que conecta quem quer dividir um imóvel.

Há outros sites especializados, como o Easy Quarto, com cerca de 25 mil vagas disponíveis, e grupos de redes sociais, como o Dividir Apartamento SP, com mais de 60 mil membros.

Para a arquiteta Inês Fernandes, sócia do Acupuntura Urbana, morar com outras pessoas faz parte de uma transformação ampla da sociedade, que passou a dar mais importância às experiências de vida. “Existe uma grande diferença entre dividir e compartilhar e vejo que as pessoas estão buscando mais essa segunda opção.”

Dados do IBGE apontam uma leve alta neste tipo de moradia no país: no Censo de 2010, 0,7% dos domicílios brasileiros eram compostos por duas ou mais pessoas sem parentesco, no Censo de 2000, eram 0,3%.

O empresário Winston Petty, 37, aluga uma casa de 576 m² no Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, com a namorada, mais dois casais e cinco adultos solteiros cujas idades vão de 25 a 37 anos. Todos eles se conheceram por meio de amigos em comum.

“Unimos visões comuns, temos excelente qualidade de vida em um bairro super arborizado, sem ter de sair de São Paulo, e ainda usamos ao máximo o espaço da casa”, afirma Petty.

A ocupação também é alta na casa de sete dormitórios do estudante de direito Guilherme Lichieri, 22, no Butantã, zona oeste de São Paulo.

Inicialmente ele pensou em encher o imóvel apenascom estudantes como ele, mas hoje vive com mais quatro pessoas de 25 a 30 anos. “Decidi que teríamos uma forma diferente de viver, nos conhecemos nas redes sociais e nos tornamos amigos.”

“As pessoas mudaram seu estilo de vida e hoje desejam ser mais sustentáveis e questionam a necessidade de posse, o que também faz parte desse fenômeno”, diz Neusa Souza, professora de economia compartilhada da ESPM.

Fonte: CTE – Centro de Tecnologia de Edificações

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