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Prédios verdes: mais sustentáveis e mais rentáveis

A questão da sustentabilidade já foi vista como entrave aos resultados financeiros positivos das corporações. Hoje, com a evolução do mercado, esse cenário vem mudando, assim como a mentalidade dos gestores. Para ajudar a cuidar do planeta e a valorizar o patrimônio, uma das iniciativas são as certificações prediais de cunho ambiental como os selos LEED e Aqua, que indicam as construções com custos menores de operação por consumirem menos recursos (os prédios verdes).

Geraldo Victor, gerente geral de Gestão Condominial da administradora Apsa, explica que a adaptação de um edifício a normas ambientais é um investimento de longo prazo. “O investidor pode aplicar um pouco mais de capital no imóvel, mas sabe de antemão que ele economizará com diversos insumos futuramente, como água e energia, e terá um imóvel bem valorizado em caso de revenda”, afirma.

No Brasil, a certificação mais adotada é a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), avaliada pelo Green Building Council Brasil (GBC). Os selos Certificado, Silver, Gold e Platinum, que variam de acordo com a quantidade de pontos adquiridos, podem ser aplicados aos imóveis em todas as fases. A tipologia BD+C é utilizada nas novas construções ou àquelas que passam por grandes reformas. Mas as edificações existentes também podem se adequar, na tipologia O+M, criada a fim de evitar a demolição de prédios mais antigos.

Benefícios dos prédios verdes

Entre os benefícios econômicos, o GBC lista a diminuição dos custos operacionais e dos riscos regulatórios, além da valorização do imóvel e do aumento na velocidade de ocupação e retenção. A depender do nível de adequação e do tamanho do bem, o custo de implantação pode chegar a 7% do total. No entanto, a valorização para revenda alcança até 20%, ao passo que as despesas rotineiras caem 9%, em média. Isso só é possível graças ao uso racional de recursos, principalmente água e energia, e à redução de emissão dos gases estufa e dos impactos ambientais, responsáveis pelas mudanças climáticas.

A instalação de um sistema de controle de fluxo de água em torneiras, pias e sanitários, e a captação de água da chuva e o reúso do líquido, que podem reduzir em 50% o consumo de água potável, são algumas das medidas mais adotadas. No quesito energia, aproveitar ao máximo a luz natural é sempre um norte, além de instalar lâmpadas de LED, ar-condicionados mais eficientes e sistemas de produção de energia solar ou eólica. Tudo isso pode fazer o consumo elétrico cair 30%. Há ainda o selo Procel Edifica, da Eletrobrás Procel, que avalia a envoltória, a iluminação e o condicionamento de ar. Para atingir o objetivo de economia, podem ser instalados equipamentos de automação, sensores e válvulas.

No Brasil, há também o selo Aqua, da Fundação Vanzolini, vinculada à Universidade de São Paulo (USP). O referencial dessa certificação é a francesa Demarché HQE, e seus critérios se assemelham aos adotados pelo GBC no LEED. No caso de novas construções, a avaliação considera o pré-projeto e as etapas subsequentes. Já nos empreendimentos já construídos, as rotinas de gestão predial devem ser planejadas e monitoradas periodicamente. Também estão disponíveis no país os selos DGNB, da Associação Alemã de Construção Sustentável, e o britânico Breeam.

Qualidade de vida

Outra certificação que, de certa forma, complementa os selos focados no meio ambiente, é o Well, desenvolvido pelo International Well Building Institute (IWBI), que prioriza a qualidade de vida dos ocupantes do edifício. Seus resultados vão desde o aumento da produtividade e do engajamento dos trabalhadores à redução do absenteísmo por motivos de saúde e familiares, além do presenteísmo — quando a atenção da pessoa se dispersa, “com a cabeça em outro lugar”. O ambiente também contribui para a retenção de talentos e, consequentemente, diminuição da rotatividade de colaboradores. Para receber o selo, são avaliadas questões com qualidade do ar e da água, nutrição, iluminação, atividades físicas, conforto e bem estar mental.

Geraldo Victor ressalta que o fato de um condomínio ser sustentável pode ser determinante na hora de fechar o aluguel ou venda de escritórios. “O selo verde oferece a garantia de que a empresa interessada terá menos insumos a pagar, o que contribui para a sua própria competitividade”, aponta. O gestor acrescenta que as despesas do condomínio também tendem a diminuir, reduzindo, consequentemente, o valor da taxa condominial. Ocupar um espaço ecologicamente correto pode ainda ser aproveitado do ponto de vista da marca, uma vez que a companhia pode agregar valor a ela.

 

Fonte: Mercado Imobiliário

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