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A OMA na mídia

Região da Paulista concentra hospitais centenários e pioneiros

A avenida Paulista não atraiu só os palacetes dos barões do café após a sua inauguração, em 1891. Os arredores da primeira via planejada de São Paulo também guardam uma rede hospitalar pioneira.

O primeiro a chegar foi o Oswaldo Cruz, em 1897. Depois veio o Santa Catarina, em 1906. O Hospital das Clínicas foi inaugurado em 1944 e o Nove de Julho, em 1955. O Sírio-Libanês só saiu do papel em 1965.

Segundo o urbanista Nestor Goulart, fundador do Condephaat (órgão do patrimônio histórico paulista) a região virou um “centro hospitalar” porque era lá onde estava quem podia pagar pelos serviços. “Era o reduto da elite. E já naquela época, a avenida tinha uma rede de transportes feita por bondes. Isso facilitava também”, diz.

Nos primeiros anos do século 20, a capital continuava a receber levas de imigrantes europeus que fugiam da guerra. Entre eles, muitos médicos, conta o antropólogo Cláudio Bertolli, da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

“Eram profissionais muito qualificados que buscavam pouca concorrência, rápida ascensão na carreira e se deslocavam para outras terras para atender gente da própria colônia”, diz Bertolli.

Surgia, então, os hospitais da colônia, como é o caso do Oswaldo Cruz, erguido pelos imigrantes alemães estabelecidos na capital paulista. E também os religiosos, como o Santa Catarina, de freiras também da Alemanha.

O Nove de Julho foi criado de um jeito bem incomum. O fazendeiro Nagib Ganme, de Araçatuba (527 km de São Paulo), comprou um hospital pequeno em São Paulo para dar de presente para os três filhos dele, todos médicos. “Antônio, João e Anis ganharam o prédio, reformaram e criaram o Nove de Julho”, conta a diretora Regina Tranchesi.

ESCOLA DO EXÉRCITO

Foi entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial que as unidades passaram pela fase mais aguda de sua história.

A comunidade sírio-libanesa foi a mais afetada e teve o sonho de seu hospital, o Sírio-Libanês, adiado por 34 anos.

A mantenedora Adma Jafet lançou a pedra fundamental da obra do Sírio em 1931. A iniciativa foi custeada por eventos beneficentes e doações de empresários da própria colônia.

Jafet morreu em 1956 e o hospital só foi inaugurado em 1965. O prédio da instituição já estava pronto desde 1941, mas foi desapropriado pelo Estado para virar uma escola de formação de cadetes do Exército.

A “Folha da Manhã” noticiou, em 13 de março de 1941, a assinatura do decreto de desapropriação temporária feita pelo então governador Adhemar de Barros (1901-1969). “Não tardará o dia em que será bem avaliado o que significa essa escola, não apenas para São Paulo, mas para a própria nação”, disse Barros à época.

Os 161 cômodos do prédio foram readaptados para acomodar salas de aula e dormitórios. A escola funcionou já em 1941 com 200 alunos.

Para Jorge Luiz Cappellano, 64, chefe do patrimônio histórico e cultural da escola de cadetes do Exército, o esforço foi necessário. “Eram tempos de guerra e a carreira militar estava atraindo muitos jovens. E a maior cidade do país ainda não contava com uma escola de formação na área”, diz.

O prédio retornou à colônia sírio-libanesa só após 18 anos, em 1959, quando o Exército concluiu as obras da sede definitiva e, hoje, única de sua escola de cadetes no país, em Campinas.

MUDANÇA DE NOME

Outra unidade que passou por percalços durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi o hospital Oswaldo Cruz.

Durante a Era Vargas, a instituição foi nacionalizada e sofreu uma série de sanções, relatou o escritor Ernest Günter Lipkau. “O hospital teria que mudar de nome e ter, ao menos, dois terços de sua diretoria composta por brasileiros”, escreveu Lipkau, na publicação “Hospital Alemão Oswaldo Cruz: 1897-1997″, da editora DBA.

O local perdeu o nome do médico polonês Rudolf Virchow e passou a homenagear o sanitarista Oswaldo Cruz.

“Era também um movimento de abrasileiramento, mesmo que forçado. Essas instituições muito ligadas à sua colônia também queriam estreitar laços com os brasileiros”, reforça Bertolli, da Unesp.

Se Oswaldo Cruz, Santa Catarina, Nove de Julho e o Sírio-Libanês nasceram para atender a elite, segundo especialistas, a grande virada ocorreu com a instalação do Hospital das Clínicas.

A instituição que serve para residência e pesquisa para os alunos de medicina da USP (Universidade de São Paulo) passou a prestar serviços médicos para quem não tinha condições de pagar, diz o diretor José Otávio. “Ele estruturou o ensino médico e, ao mesmo tempo, reforçou a missão da Santa Casa –que é a de prestar atendimento a quem é menos favorecido.”

Hoje, as cinco unidades concentram 4.044 leitos e muitos avanços em pesquisas clínicas nas áreas de oncologia, cardiologia e neurologia, só para citar algumas.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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